-Eu infelizmente te amo e casamento pra mim é eterno.
Disse ela.
E eu já sem chão, com medo de ver ruir aquilo que construí lhe disse:
-Eu não acho infelizmente não, por mais que tenha briga.
-Eu te amo.
-Por mais insuportável que fique eu não te deixo.
-Você é tudo que eu tenho.
-Se eu lhe perder não tenho mais nada.
E sem se deixar comover por minhas palavras
ela sacou mais uma de suas certeiras balas e me lançou:
-você deveria demonstrar isso dia a dia.
Ora mais que raios de amor é esse? Que só vê o que lhe convém...que raiva destrutiva é essa que não permite que nada do que é bom tenha evidência e seja relevante?
As vezes, penso que há aqui uma superposição de sentimentos...mas acredito que
não exista amor em competição...disputa de quem ama mais...acho que deve existir uma disputa... sim.. quando o amor compete por espaço, quando perde espaço pra a vaidade, pra o desprezo, pra a raiva, ódio, e outros tantos sentimentos que ocupam no coração o lugar do amor.
Eu, apenas um poeta, me assombro com essas coisas...queria em quem vez de oprimir, pudesse exaltar, que no lugar do sarcasmo, viesse a ternura, que a compreensão pudesse ocupar as trincheiras do coração, impedindo tudo do que é mau viesse.
Me resta...aqui, perdido nesse espaço, navegar sozinho, quando apenas aqui seja o lugar perfeito pra que possa está... pois outras realidades não me caberiam.
Severo Brincante. Lisboa, 2014
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